terça-feira, junho 13, 2006

Viva o (de)Novo.

Copa do Mundo rolando e muita coisa na propaganda acontecendo, em especial na brasileira. Dia dos namorados, eleições e, claro, os grandes anunciantes aparecendo insistentemente na mídia.

Deveria fazer ao menos um comentário sobre os jogos da Copa, então pronto, vou fazer um: não vi até agora nenhum jogo bom.

Mas voltando aos grandes anunciantes, e como a competição está sendo realizada na Alemanha, tradicional reduto de grandes fabricantes de automóveis, falarei sobre a Ford. A montadora está com campanha, slogan e produto (Ford Fusion) novos. E novo também é o mote de sua campanha, como o slogan: Ford. Viva o Novo.

Diga-se, pesquisas mostram que os carros da Ford são bem aceitos, têm bom acabamento interno (diferente da concorrente VW que vem optando por fazer tudo de plástico), são considerados robustos e resistentes pelos mecânicos, entre outras qualidades. Mas não são líderes de venda em nenhuma categoria. Por quê?

Na minha visão, acredito estar parte do problema – ainda que a menor parte – na sua logomarca. Com tendências cada vez mais minimalistas, linhas retas, tipos tradicionais e simples, a Ford corre na contramão do resto do mundo e mantém o seu símbolo, por assim dizer, quase como um brasão de família, intocável.

É certo que outras montadoras também não venham renovando suas logomarcas ao longo dos anos, como fizeram (para citar dois exemplos) as fabricantes de artigos esportivos Nike e Adidas, onde uma se “limitou” apenas a uma asinha e a outra as suas três tirinhas e nada mais. Mas é certo também que o setor de artigos esportivos vem contratando, enquanto o automobilístico no mundo todo vem demitindo pessoal à rodo (exceção feita aos que se prepararam, investiram em seus produtos e também, acredito eu, na sua logomarca, como a Audi).

Tenho certeza que se o Henry Ford estivesse vivo não ficaria sonhando como aparece no comercial, ele realizaria o tal NOVO, inclusive com para sua logomarca.

Acho que aí sim, essa nova campanha faria mais sentido e a Ford poderia competir de frente como uma grande empresa no seu setor. A não ser que a Ford, assim como uma seleção que participa pela primeira vez de uma Copa do Mundo, sinta-se realizada em simplesmente participar e lutar para não perder de goleada.

NOTA: sinceramente, qual a diferença entre a Bia Falcão, a mulher que faz o comercial do Banco do Brasil e a Fernanda Montenegro? Mesma cara, tom de voz, jeito pausado de falar, expressão, olhar... Acho que está na hora de pararmos com essa coisa de “imortais”.

Em suma: Viva o (de)Novo.

1 Comments:

Blogger Camila said...

Acho que o problema da Ford é mais embaixo e mais a leste tb. Mais embaixo por causa do petroleo (e do seu preço), que mata muito produto Ford, ja que (dizem) consome muito gas. Nao tem bolso que aguente, nem fidelidade que perdure. Mais a leste pq a japonesada ta dominando, com carros mais economicos, bons designs, etc. O que a Ford carrega no logo é um peso historico, num momento em que o povo quer mesmo é modernidade, baixo custo e, se possivel, consciencia ambiental. O dia em que a Ford conseguir mudar isso dentro da empresa, aposto um picolé que ela muda o logo. Ta valendo?

13/6/06 12:46  

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