segunda-feira, julho 10, 2006

Cirque du modial.

Acabou a Copa, talvez a mais broxante – para falar o bom português – de todas.

O respeitável público do mundo inteiro viu o show da seleção da Costa do Marfim, grandes e fortes como elefantes, rápidos e habilidosos, mas sem resultado, perdeu para o tango argentino que começava seus primeiros passos.

Do mesmo continente, Tonga. Alegre, dançante, saltitante. Literalmente como os palhaços, no melhor sentido da palavra, de um grande circo: divertiram, por vezes fizeram rir. Mas como bons palhaços, totalmente desprendidos e de certa forma irresponsáveis. Também perderam.

Havia ainda os acrobatas do oriente. Inexperientes e sem a malandragem que somente uma família que já está há várias gerações neste meio tem, não fizeram muito, mas ainda sim deram um lição a todos de garra e, sobretudo, de reconhecimento ao seu treinador, o Zico.

Nossos hermanos, como nos mais clássicos tangos começaram devagar, a coisa foi ganhando corpo, forma, chegou ao seu ápice e terminou em tragédia. Mas que fique claro que foi uma tragédia digna e honrada.

Então, todos queriam ver o número de mágica e para tal, veio o Brasil com o seu quadrado mágico. A apresentação foi um fiasco tamanho que quase compromete o espetáculo, acho que deveriam devolver parte do dinheiro da bilheteria. Uma vergonha. Mas pensando bem até que eles são bons ilusionistas sim: fizeram o mundo acreditar em algo que não existia e depois sumiram. É, David Coperfield deveria rever seus conceitos sobre mágica, uma dica é o livro do Parreira, de título, pasmem, “Formando Equipes Vencedoras”.

Fora aqueles que engoliram facas, os que cuspiram fogo, os que caíram do trapézio, o todo transcorreu bem.

Ah, o domador dos leões da vaidade portuguesa foi um espetáculo. Felipão ensinou ao mundo como domar feras sem chicote, com vibração e mão na cabeça – na hora certa.

E a apresentação final quase foi perfeita. Os adestrados italianos respeitaram até o fim o esquema tático de seu técnico, fizeram uma grande Copa e mereceram ser tetra-campeões. Mas os malabaristas franceses desandaram no final: se entregaram e seu mestre, maior artista deste circo todo, bateu cabeça.

Sei lá, acho que para daqui há 4 anos será melhor que este circo mostre espetáculos com artistas novos, principalmente no que diz respeito a palhaçada (agora sim no pior sentindo da palavra) da seleção brasileira.

4 Comments:

Blogger Camilinha said...

Ah, e para completar a marmelada, o ZiZou foi eleito o melhor jogador. Não é bolinho, não...

'Tá certo que o cara jogou bonito nesta Copa, mas também mostrou a cara feia do esporte, vergonha total!

10/7/06 15:02  
Blogger Camila said...

Time, mesmo com a cabeçada no italiano, a imprensa e o povao demonstraram o maior respeito pelo Zizou. Interpretaram a reação dele assim: mesmo um deus do futebol pode exprimir suas emoções, assim como todo ser-humano. Particularmente, acho ele o maximo, um cara discreto diante de todo o auê que gira em torno dele. Se o San me permitir, deixo aqui minha humilde homenagem ao meu querido idolo que adotei.

10/7/06 15:48  
Blogger Falante said...

Permitidíssima! Tbm sou fã do Zizou... muito crasse ele!

10/7/06 15:51  
Blogger Camilinha said...

É que eu não gosto de gente de verdade, reais como nós. Gosto de heróis perfeitos. Ah, assim não tem graça, pô.

11/7/06 09:30  

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