Segunda-feira, Julho 03, 2006

Vergonha, vergonha. Time sem vergonha.

No Brasil, futebol é uma religião, então, vamos lá. A seleção cometeu todos os pecados capitais: os muitos quilos a mais de Ronaldo, revelaram sua gula, infelizmente não por bola; a avareza e a soberba de toda a seleção; a preguiça nos treinos; a luxúria de seus dirigentes corruptos; a inveja de alguns jogadores em ver Zidane jogar – e como jogou –; onde tudo culminou na ira, como no filme Seven – Os Sete Pecados Capitais.

Se a bíblia estivesse sendo escrita hoje, seriam oito e no apenas sete os pecados: a teimosia do Parreira foi digna de classificação pecaminosa.

Aqui neste mesmo espaço, dia 14 de junho escrevi em “Lembranças” que temia por lembrar um copa que tinha preferido esquecer, mas lembraram de Parreira e Zagallo.

E já que é para lembrar, lembro aqui o início de comparações desta seleção com a de 82 ou mesmo com a de 70. Pior, comparar alguns jogadores a Maradona, nem pensar. Pelé então, muito menos, não força.

Por falar em passado, Roberto Carlos deveria ter lembrado da história de Napoleão Bonaparte, que na mesma posição do desbravador francês ao perder a guerra, deixou Thierry Henry livre de marcação para fazer o único e mortal gol da seleção francesa. Ah claro, do cruzamento de bola do Zizou.

Futebol, como prometia aquele quadrado, não é um show de mágica – o que é pura ilusão. Zagallo como uma uva seca e sem utilidade ficou grudado à Parreira, sem atitude, só querendo trocar camisas e recebendo não como resposta. Vinhos sim, quanto mais velhos melhores, técnicos e auxiliares, não! Portanto Zagallo e Parreira voltem para caixa. Sim, aquela de surpresas.

No final de Seven, o detetive Somerset, vivido por Morgan Freeman, citando uma frase de Ernest Hemingway, que o mundo é um lugar bom e vale a pena lutar por ele, conclui: concordo com a segunda parte.

Se este filme fosse sobre a seleção brasileira – o que caberia muito bem – tenho minhas dúvidas se o mesmo detetive concordaria com a segunda parte, acho que nem citaria tal pensamento e pouparia o escritor de ter o seu nome associado à tamanha vergonha.

7 Comments:

Anonymous tatiana said...

Sann amigoo,
obrigada por escrever por todos nós! ô vexame..

3/7/06 15:43  
Blogger To me achando said...

Podecre. David Copperfield é café-com-leite perto do quadrado ilusionista.

3/7/06 15:52  
Blogger To me achando said...

Podecre. David Copperfield é café-com-leite perto do quadrado ilusionista.

3/7/06 15:52  
Blogger Claudia said...

Falou e disse..
Foi uma vergonha sim..
Mas perder p um time q possui uma pessoa tão iluminada como o Zidane até q não é tão ruim assim, vai..
O cara venceu a timidez e foi a público pedir ao povo francês q não votassem em Le Pen, o candidato fascista ao governo francês.. Lembrou da seleção francesa, conhecida lá como Black, blanc, beurs(negros, brancos e árabes),isto é, sinônimo de miscigenação. Além de jogar pra caramba!!
O cara é O cara..
Obrigada pela visita..
Bjo p vc..

4/7/06 01:30  
Blogger Chris said...

É... agora está todo mundo com o pé no chão mesmo.
As cenas do Zagallo tentando trocar camisa eram muito engraçadas...
Para quem você vai torcer hoje? Alemanha ou Itália?

4/7/06 09:52  
Blogger Camilinha said...

Ai, Sandro...
Concordo totalmente. Pena que você teve que usar algo tão bom (o Seven) para comparar com algo tão ruim (a seleção)...
Beijos!

4/7/06 10:37  
Blogger Portfolio Gustavo Ávila said...

Fala Sandro,
Cara não vou dizer mais nada. Você já disse, a galera ai em cima já disse e os jornais não param de falar nisso. Mas queria que todos vocês vissem isso, se é que já não viram. Um comercial perfeito, como estava escrito no site onde eu ví: para emocionar até brasileiro. Malditos argentinos que jogaram pra caramba e que fizeram este comercial.
Está no site www.brainstorm9.com.br.

Como eu queria ter escrito isso. Até aceitaria ser argentino para isso. (pensando bem, nãooooooo. Podemos fazer melhor e em português)

Mas saca o texto:
"Bendito sea el mundial con que soñamos
Bendito cada nombre que ha sido designado
Bendito los pibes que siempre sacamos
El peso de la historia, el respeto ganado
Maldito sean los recuerdos dolorosos
Maldita la impotencia, la injusticia que vivimos
El volvernos a casa cada uno por su lado
Las finales sin jugar y quedarme en el camino
Bendita la anestesia general a los dolores
La tristeza que curamos con abrazos
Las gargantas que se rompen por los goles
El sentirnos los mejores por un rato
Malditos los sorteos y los grupos de la muerte
Los controles sin azar que asignaron nuestra suerte
Malditos los mezquinos que juegan sin poesía
Los que pegan, los que envidian, los que rompen y lastiman
Bendito sea el orgullo con el que entramos a la cancha
El potrero y la pelota no se machan
La tv que repite la gambeta
Inflar las redes de los otros, inflar el pecho de los nuestros
Merecer la camiseta
Los turistas, los cronistas, los sponsors, los amigos, el himno
y las mujeres siguiendo los partidos
Bendita las cabalas que dan resultado
Las risas y el llanto que guardaremos tanto
Y bendito ese momento que nos regala el fútbol
De poder cambiar nuestro destino
Y sentir otra vez y frente al mundo
Lo glorioso y lo groso de ser argentino!"

4/7/06 14:51  

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