segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Amor

Havia um homem que tinha na música tudo em sua vida. Passava os dias estudando partituras, treinando e aprimorando sua técnica junto ao piano, conhecendo novos compositores. E assim seus dias iam passando.

Um dia ele se apaixonou por uma mulher. Namoraram. Casaram. Sua dedicação pela música em nada mudou, ao contrário, apenas aumentava.

Após anos de casamento, entrou numa profunda dúvida: quem ele mais amava, a música ou sua mulher? Então correu até sua sala de piano e por lá ficou tocando horas e horas. Chorou, riu, lembrou de velhos temas, tocou com afinco, com vontade. Tocou até suas mãos não agüentarem.

Ao sair da sala de piano, viu sua mulher chorando em outro cômodo da casa. Foi até ela e lhe perguntou: - Meu amor, o que houve?

- Tenho um segredo que guardo há anos e já não estou mais conseguindo esconder, disse ela chorando compulsivamente.

Ele atônito, apenas olhou em seus olhos e ela continuou: - O problema é que estou ficando mais surda a cada dia e tenho muito medo de não poder ouvi-lo tocar mais.

Naquele mesmo instante, ele pegou sua mulher pela mão, voltou à sala em que tocara, cobriu seu piano com o feltro, fechou a tampa e nunca mais tocou.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Quando?

Você nunca vai me ver triste ou andando pelas sombras. Vou estar sempre entre amigos, cuidando em viver. Vou a festas, reuniões, jantares. Estarei fazendo meu papel diário, às vezes rotineiro. Posso pegar um avião e ir para longe, mas será por pouco tempo. Estarei trabalhando bastante, reconstruindo minha vida, que por anos eu deixei abandonada.

Sou guiado pelo meu coração. Foi difícil aprender a segui-lo, mas agora está fácil caminhar. O caminho é torto, cheio de pedras, mas repleto de belezas.

Vou ficar longe. Sei que vou sentir falta. Meus olhos vão querer os seus, os abraços, beijos, seu corpo, o tempo. Queria poder não ver passar o tempo.

Sem você não sei viver. Você sabe que há alguma coisa muito forte aqui.

E tudo isso, todo esse tempo... Minha felicidade não está em você, nem a sua em mim, mas sim dentro de cada um de nós!

Vai, que agora a vida se encarregará de tudo.

sábado, dezembro 16, 2006

Só se sentindo.

Meu coração
Sem direção
Voando só por voar
Sem saber onde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas
Que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas fui mais
Muito além
Do tempo do vendaval
Nos desejos
Num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos
Dentro de mim
E vivesse na escuridão
Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Como uma pessoa escreve algo assim é o que nos perguntamos. E neste momento penso saber a resposta: com coração.

segunda-feira, outubro 30, 2006

O momento pede uma poesia de esperança.

Ai se sêsse.

Se um dia nois se gostasse

Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta
do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tavés que nois dois ficasse
Tavés que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

Zé Da Luz

quarta-feira, outubro 25, 2006

A fase merece um soneto.

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer te
algüa causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Luis de Camões

segunda-feira, outubro 16, 2006

Ansiedade.

Paciência para esperar.

Flores já brotaram.

Telefone sempre toca.

Momentos juntos.

Pizzaria, almoço, garrafinha d’água.

Outras pessoas.

Autocontrole.

Ciúmes.

Raiva.

Divergências.

Descontrole.

Beijos.

Sorrisos e abraços.

Longas conversas.

Opiniões diversas.

Convergências.

Toda a história vem à tona.

E assim vai.

terça-feira, outubro 10, 2006

É...

Cadê a sinceridade que esse rapaz diz tanto ter?

Uma sincera crueldade que não consegue imaginar.

Sorri e impreciso, foge de si.

Pensa ser perfeito, ser o sujeito.

Conduz o mundo ao seu umbigo.

Quando cai em si, se vê só.


Cadê o camarada, o gente boa, o do bem?

Um egocêntrico enrustido.

Se esquiva, só se defende.

Acha que entende tudo, mas fica na teoria.

Revoga planos aos seus próprios planos.

Quando sente, percebe que dói.


Cadê a força que o faz tão seguro de si?

Uma fraca ilusão que é diferente de todos.

Olha tudo a fundo, mas nada vê.

Acredita saber a fórmula.

Releva os mais claros sinais da vida.

Quando se encontra, se sente perdido.


Cadê a sensatez que todos comentam?

Um devaneio de posturas mutáveis sem noção.

Abre e fecha a boca, engole o raciocínio.

Jura ter seu momento, senta e espera.

Exibe outro alguém em seu lugar.

Quando pensa, vê que errou.


Esse cara acabou de ter uma nova oportunidade na vida. Talvez tudo isso, palavras soltas no ar como são, no ar se percam. Só depende dele.