segunda-feira, outubro 30, 2006

O momento pede uma poesia de esperança.

Ai se sêsse.

Se um dia nois se gostasse

Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta
do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tavés que nois dois ficasse
Tavés que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

Zé Da Luz

quarta-feira, outubro 25, 2006

A fase merece um soneto.

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer te
algüa causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Luis de Camões

segunda-feira, outubro 16, 2006

Ansiedade.

Paciência para esperar.

Flores já brotaram.

Telefone sempre toca.

Momentos juntos.

Pizzaria, almoço, garrafinha d’água.

Outras pessoas.

Autocontrole.

Ciúmes.

Raiva.

Divergências.

Descontrole.

Beijos.

Sorrisos e abraços.

Longas conversas.

Opiniões diversas.

Convergências.

Toda a história vem à tona.

E assim vai.

terça-feira, outubro 10, 2006

É...

Cadê a sinceridade que esse rapaz diz tanto ter?

Uma sincera crueldade que não consegue imaginar.

Sorri e impreciso, foge de si.

Pensa ser perfeito, ser o sujeito.

Conduz o mundo ao seu umbigo.

Quando cai em si, se vê só.


Cadê o camarada, o gente boa, o do bem?

Um egocêntrico enrustido.

Se esquiva, só se defende.

Acha que entende tudo, mas fica na teoria.

Revoga planos aos seus próprios planos.

Quando sente, percebe que dói.


Cadê a força que o faz tão seguro de si?

Uma fraca ilusão que é diferente de todos.

Olha tudo a fundo, mas nada vê.

Acredita saber a fórmula.

Releva os mais claros sinais da vida.

Quando se encontra, se sente perdido.


Cadê a sensatez que todos comentam?

Um devaneio de posturas mutáveis sem noção.

Abre e fecha a boca, engole o raciocínio.

Jura ter seu momento, senta e espera.

Exibe outro alguém em seu lugar.

Quando pensa, vê que errou.


Esse cara acabou de ter uma nova oportunidade na vida. Talvez tudo isso, palavras soltas no ar como são, no ar se percam. Só depende dele.

segunda-feira, outubro 02, 2006

A vida como ela é.

Longe de mim, sequer tentar, ser um Nélson Rodrigues – não olhei tanto assim pela fechadura da porta.

Mas estou inerte neste momento pós-votação. Sinto que confirmei uma suspeita que tinha sobre nós, os brasileiros. No dia 18 de maio deste ano escrevi O melhor do Brasil precisa melhorar e muito!, mas hoje tenho plena convicção que esse chamado de melhor é na verdade uma grande ironia inconsciente, e o pior, da nossa inconsciência mesmo. “Sei, somos os melhores do Brasil?!”.

Acredito muito na atração de iguais, que procuramos viver e nos relacionar com aquilo ou aqueles que entendemos ser como nós. Mas não esqueçamos: “toda unanimidade é burra”.

Paulo Maluf é o deputado mais votado. Collor se elegeu senador. Palocci entre outros caçados e réus confessos também se elegeram. E ao Lula, que nada sabe, lhe foi dada uma segunda chance. Por mais pecado que possa isso parecer, desse jeito até Jesus Cristo terá inveja da nossa capacidade de perdoar.

Nélson Rodrigues ficou muito famoso por saber enxergar o óbvio. O óbvio, apesar de sê-lo, é algo escuro, calado, às vezes guardado. E se fosse a ele perguntado sobre o Brasil neste momento, tenho certeza que ele responderia: somos todos corruptos.